Upcycling, lançamento de projeto e retorno das peles foram os destaques
Enquanto sites e blogs de moda estão apontando as próximas tendências de outono e inverno, um olhar sobre o Fashion Rio e Fashion Business sob a ótica da sustentabilidade se faz necessária.
Propostas de upcycling de poucos estilistas e o lançamento do Instituto Ser Sustentável com Estilo foram os destaques positivos. Já o mesmo não se pode dizer da volta das peles verdadeiras.
Na fila A da polêmica ambiental gerada está os estilistas Carlos Miele, que usou raposa e coelho; Patrícia Vieira, que apresentou roupas de pele de cabra e de coelho; Victor Dzenk, com peles de chinchila tingidas de rosa, vermelho e azul; e a marca Maria Bonita Extra, com tricô de lã angorá. Esta tendência apresentada além de não ser nada ecologicamente correta, pois o processo de produção das peles passa por maus tratos a estes animais, não se justifica o seu uso no Brasil, um país onde o inverno é ameno. E, por serem mais leves e práticas para cuidar, as peles sintéticas são uma ótima alternativa.
Interessante notar que o retorno das peles verdadeiras já presentes nas vitrines da Europa, ocorre em um momento pós-crise, ou seja, com um poder aquisitivo maior, as pessoas buscam objetos que são símbolos de status de um luxo opulento. Porém, no atual cenário mundial, nada mais fora de moda tanto este tipo de luxo quanto o uso das peles reais.
Desfilando de acordo com o nosso tempo, algumas propostas sustentáveis foram apresentadas. Nas passarelas continuam a ditar a tendência para a sustentabilidade na moda o upcycle, isto é, a reutilização de materiais usados que, em vez de irem para o lixo, ganham novos usos sem precisar passar pelos processos químicos ou físicos tradicionais da reciclagem.
No Fashion Rio, a British Colony apresentou colares feitos com anzóis e acessórios de pesca dando um toque lúdico no seu desfile. Tanto a Coven quanto a Cantão reaproveitaram fios e tecidos que estavam parados nos acervos. A Sta. Ephigênia, que integrou o line-up no Fashion Business, desenvolveu em parceria com a cooperativa Moltec, de Belo Horizonte, maxi-paetês feitos com rodelas de PET os quais ganharam aspecto de madrepérolas.

A estilista da Coven, Liliane Rebehy Queiroz, aproveitou um fio de 10 anos atrás chamado bucle: deu nova tintura e teceu um lindo vestido de mangas compridas, com franjas na barra e efeito tipo mescla.

A Cantão reutilizou tecidos do acervo da marca: cerca de meia tonelada de retalhos coloridos e estampados que iam para o lixo ganharam novo uso.
Destaque também para OEstúdio que apresentou a coleção intitulada “Com Ciência Negra”. Esta foi desfilada apenas com modelos negros e desenvolvida em colaboração com os alunos do projeto OiKabum!, escola de arte e tecnologia da Oi. Na cartela de cores, destacou o preto como cor principal e tons vermelhos representando o sangue que corre igual em todas as veias e peças mergulhadas em tinta, para mostrar que nós somos de todas as cores.

Com um casting de modelos negros e este look feito com a técnica de patchwork, OEstúdio apresentou uma coleção para refletir sobre o tema da consciência negra.
Finalizando, Chiara Gadaleta lançou o Instituto Ser Sustentável com Estilo. O objetivo é “reunir diversos parceiros de diferentes níveis da cadeia produtiva da moda, (…) ligar essas etapas e incentivar a troca de experiências, sempre buscando promover a sustentabilidade, economia criativa e capacitação dos envolvidos”. São com estas ações e soluções que a moda brasileira dá os seus pontos bem amarrados em direção à sustentabilidade.

































